Poderíamos comprar um apartamento. Discutiríamos se o melhor seria um gato ou um cachorro. Você optaria por um gato. Eu por um cachorro. Uma eterna discussão que nos levaria a comprar os dois. E brigaríamos por outras coisas também, como a cor das paredes, o comprimento das cortinas, a sua organização, a minha bagunça e blá blá blá. Porém, o nosso jeito de resolver as coisas seria muito simples: um beijo, um abraço, um cafuné, um “vem aqui sua boba”, um “vem aqui meu amor”. E nós amaríamos essa nossa relação, capaz de ir do céu ao inferno em questão de minutos. De um “te odeio” até um “te amo”. Nos completaríamos. Seríamos felizes, eu e você. Fotos de nós dois espalhadas pela casa. E ela seria a nossa cara: roupas pelo chão de manhã cedo, porcarias na geladeira, M&M’s em vidros espalhados pela casa, uma estante de filmes, um sofá grande, louça suja na pia esperando um de nós ceder e ir lavá-la. Nossos sábados à noite seriam das mais diversas formas; em alguns, olharíamos qualquer tipo de filme, atiraríamos pipoca um no outro, comeríamos uma pizza, e dormiríamos ali mesmo, no sofá. Abraçados, ouvindo a respiração um do outro. Nos contaríamos piadas sem graça, e riríamos um da cara do outro. Nós teríamos tudo e nada para dar certo. Seria nosso antigo e bom “amor bipolar”. Porém, mesmo com todas nossas diferenças,pertenceríamos um ao outro. E nada mais importaria.
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